Que tal aprender como garantir
fotos de maior qualidade, mesmo sem ler o manual inteiro da câmera, nem
frequentar um curso sobre a arte e a técnica da fotografia?
A praticidade das câmeras
digitais e a popularidade cada vez maior dos celulares com câmeras de melhor
qualidade vêm permitindo que cada vez mais pessoas – que não desejam dominar a
técnica da fotografia – se dediquem a tirar fotos dos momentos que desejam
preservar, paisagens que desejam relembrar, e das pessoas de que gostam.
O aumento do número de fotos
causado por este fenômeno já me levou a escrever um artigo anterior sobre como
sair melhor em fotos casuais, já que não conseguimos evitar que nossas fotos
sejam tiradas nos momentos mais inesperados.
E agora chegou o artigo do ponto
de vista oposto: as dicas para quem não quer dominar a técnica e a arte da
fotografia, mas mesmo assim deseja aproveitar melhor os recursos que tem à
disposição, melhorando a qualidade das fotos casuais que tira.
Ler o manual inteiro dos
equipamentos, e frequentar um bom curso sobre o tema, seriam estratégias
bastante interessantes, se você realmente quer dominar a Fotografia. Mas se o
seu interesse é casual, as dicas a seguir irão lhe ajudar a melhorar bastante
seus resultados, sem esforço desproporcional.
Como fotografar melhor
1. Dirija e
intervenha: Se estiver tirando fotos de pessoas posando, não se limite a
fotografá-las como estiverem, ou aos clássicos comandos direcionais (“mais pra
trás”, “mais pra direita”). Procure o melhor fundo, a melhor iluminação,
reagrupe-as. Procure mostrar a personalidade delas, tire múltiplas fotos para depois
escolher as melhores. Mas não exagere, a não ser que sejam modelos pagos para
isso, senão logo elas vão parar de colaborar!
2. Não centralize
tudo! Depois que você aprender a travar o foco, passe a dar mais vida e dinamismo
às suas fotos, abandonando a técnica antiga de deixar o ponto principal da foto
exatamente no seu centro. Uma das maneiras mais básicas de obter um
enquadramento harmonioso é imaginar que a sua foto é um grande tabuleiro de
jogo da velha, e alinhar o modelo a uma das duas linhas verticais traçadas,
como no exemplo acima. Depois de dominar o alinhamento básico, você pode buscar
aprender mais sobre o bom uso da grade de 3×3 células formada pelo “jogo da
velha”, usando bem suas linhas e células para enquadrar. Dica extra: algumas
câmeras dispõem do recurso de exibir esta grade diretamente no display,
facilitando a vida de nós, amadores.
Plano médio e plano
americano
3. Dê dois ou cinco
passos para a frente… Meu avô dizia que uma foto bem enquadrada mostra ao mesmo
tempo os pés e a cabeça do modelo, mas às vezes faz bastante sentido tirar as
fotos bem mais de perto. Enquadre bem, e conscientemente, mas não tenha medo de
tirar as fotos um pouco mais de perto. Se for o caso, tome emprestado do Cinema
o Plano Americano (do joelho pra cima, mostrando melhor a expressividade do
rosto, sem esconder o fundo) ou o Plano Médio (da cintura pra cima, mostrando
com clareza a interação entre os modelos).
4. Pratique o uso do
seu flash fora de casa: Ao tirar retratos fora de casa, dependendo das
condições de iluminação, o rosto ficará sombreado. Dominar o uso do flash
nestas condições exige alguma prática, mas praticar com fotos digitais custa
pouco – convide alguém e pratique posicionamento (contra o sol, a favor do sol,
na sombra, etc.) e distâncias até saber como se posicionar – e aí aplique o que
aprendeu, quando chegar a hora certa. Às vezes a distância máxima para uso do
flash ao ar livre não passa de 5 ou 6 passos, e se você tirar fotos com ele
ligado a distâncias superiores a isso, o efeito será o oposto ao desejado: vai
ficar tudo escuro.
5. Aprenda a “travar”
o foco: já aconteceu de você tirar uma foto, e ao vê-la posteriormente,
perceber que a câmera colocou em foco alguma coisa do fundo da imagem, e o que
você queria mostrar ficou borrado, como no exemplo acima? Normalmente, para
“travar” o foco, você deve apontar a mira da sua câmera digital exatamente para
o ponto que deseja focalizar, e aí apertar o disparador até a metade,
aguardando para que seja focalizado (até ouvir um bip, ou ver o indicador da
mira ficar verde). Aí, sem soltar o disparador (que está apertado apenas até a
metade), reposicione a câmera para dar o enquadramento que desejar – o foco
permanecerá fixo, por mais que você reenquadre.
6. Tenha memória e
bateria suficientes: a marca do fotógrafo amador malsucedido é o despreparo.
Quem já não viu alguém num canto da festa apagando fotos da memória da câmera
porque acabou o espaço, e reclamando porque está tendo de apagar fotos de que
havia gostado? Quem nunca ouviu a clássica pergunta desesperada: “alguém tem
pilha? a minha acabou!” Se você gosta de fotografar, comprar mais um ou dois
cartões de memória para a sua câmera não é caro, e ter baterias carregadas de
reserva é essencial.
7. Fique na altura do
seu modelo: Especialmente se for tirar fotos de crianças ou bichos, procure
segurar a câmera na altura dos olhos deles. A foto vai ficar muito mais
interessante e natural, mesmo que eles não estejam olhando para a lente da
câmera! Veja a diferença no exemplo acima, cortesia da Kodak.
8. Prefira um plano de
fundo que seja uniforme: não precisa ser liso, mas idealmente deve ser
contínuo. Tome cuidado especialmente com composições que façam parecer que um
galho ou um poste “nascem” da cabeça de alguém retratado. Um fundo uniforme
destaca o tema da sua foto, como demonstra o exemplo acima, cortesia da Kodak.
9. Conte a história
toda: Se estiver fotografando um evento, como uma viagem ou uma festa, não se
esqueça de contar a história toda: registre os preparativos, a partida,
arrumações, chegada de convidados, retorno, etc. Tire muitas fotos, e depois
escolha quais merecem ser guardadas. Assim, o registro fica muito mais rico.
10. Automatize o que
precisar: Eu prefiro escolher sozinho o foco e o momento exato da foto, mas há
quem tenha dificuldades na operação ou coordenação e acaba tirando grande
quantidade de fotos tremidas, fora de foco, ou perdendo o momento exato que
queria registrar. Se você conhece alguém assim, insira na lista de possíveis
presentes de aniversário para esta pessoa uma câmera com estabilização automática
de imagem, detecção de face (‘face detection’) e detecção de sorriso (‘smile
shutter’). O primeiro estabiliza a cena, evitando o efeito causado pelo tremor
do fotógrafo ;-)
Na foto da direita, o “face
detection” estava ativado, e a câmera ajustou sozinha o foco e exposição
Ambos os demais são recursos
exclusivos para “retratos”, sendo que o primeiro deles identifica
automaticamente os rostos das pessoas sendo enquadradas, e ajusta o foco,
exposição e outros parâmetros da câmera para mostrá-los melhor. Já o último
fica atento a estes rostos, e tira a foto no momento em que detectar o
surgimento de um sorriso. As configurações avançadas podem ser complicadas (de
sorrisinho a gargalhada, sorrisos de todos os modelos ou de um específico,
etc.), mas a configuração padrão tende a ser boa, bastando ativá-la (e essa
parte é fácil) quando necessário.
11. Mantenha a câmera em
alta resolução: Uma dica clássica, e completamente desnecessária se você seguiu
a dica lá de cima sobre estar preparado, era configurar a câmera para usar
baixas resoluções, permitindo assim guardar mais fotos na memória. Tenha
bastante memória disponível, e aí não tenha medo de manter a configuração
original de resolução – 5 megapixels ou mais, e nunca menos de 3 megapixels.
Você sempre pode reduzi-las na hora de arquivá-las no micro, se desejar, mas
mantê-las em alta resolução lhe dará a opção futura de imprimir com qualidade,
até mesmo em formatos maiores.
12. Gosta de
auto-retratos? As câmeras digitais, especialmente as de celulares e
smartphones, são responsáveis pela proliferação de auto-retratos tirados
segurando a câmera com o braço esticado, tendo de adivinhar o enquadramento, o
foco e o fundo. Muitas vezes, mesmo que a foto não fique tecnicamente boa,
serve como um registro divertido e interessante. Se você tem o hábito, peça ao
Papai Noel uma câmera com flip no display LCD, permitindo girá-lo para ver a
imagem mesmo quando se está de frente para a lente. Se não rolar, ao menos
procure uma câmera com um mini-espelho de enquadramento ao lado da lente, como
as de alguns smartphones Treo, de aparelhos diversos da Nokia (o meu E71 tem),
e de muitos outros.
13. … ou compre um mini
tripé: Se você gosta de tirar fotos de si mesmo (seja com o timer da própria
câmera, ou segurando a câmera apontada para si), está na hora de arranjar um
mini-tripé. Muitos deles cabem, quando desarmados, no estojo da sua câmera.
Eles permitem melhor posicionamento e controle de enquadramento, e custam tão
barato que não vale a pena continuar sem eles.
Uma dica extra, para quem quiser
praticar, é a da “revelação” caseira. Imprimir fotos em casa, com qualidade
típica de serviços profissionais, pode exigir equipamentos e suprimentos
relativamente caros. Mas uma impressora doméstica típica, operando em seu modo
de mais alta qualidade e com papéis fotográficos que você encontra na papelaria
da esquina, pode servir bem para uma impressão casual ou eventual,
especialmente quando for para praticar. Eu sempre tenho em casa um envelope
destes papéis, e de vez em quando eles são úteis – mas tomo o cuidado de
guardá-los seguindo as recomendações do fabricante, expressas no envelope,
senão eles estragam rapidinho.












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