A
Luz, por onde tudo começou
Para que possamos compreender o fenômeno
da fotografia, é necessário conhecer algumas propriedades físicas da luz. A luz
é uma forma de energia eletromagnética radiante, à qual nossos olhos são
sensíveis. A maneira como a vemos e como a fotografamos é diretamente afetada
por duas importantes características da luz: ela viaja em linha reta e a uma
velocidade constante. A luz pode ser refletida, absorvida e transmitida.
Quando a luz é refletida por um objeto,
se propaga em todas as direções. O orifício de uma câmara escura, quando diante
desse objeto, deixará passar para o interior alguns desses raios que irão se
projetar na parede branca. E como cada ponto iluminado do objeto reflete assim
os raios de luz, temos então uma projeção da sua imagem, só que de forma
invertida e de cabeça para baixo. Como cada ponto do objeto corresponde a um
disco luminoso, a imagem formada possui pouca nitidez e, a partir do momento em
que se substitui à parede branca pelo pergaminho de desenho, esta falta de
definição passou a ser um grande problema para os artistas que pretendiam usar
a câmara escura na pintura.
A
câmera escura, o princípio da Fotografia
A fotografia não tem um único inventor.
Ela é uma síntese de várias observações e inventos em momentos distintos. A
primeira descoberta importante para a photographia foi a "câmara
obscura". O conhecimento de seus princípios óticos se atribui a
Aristóteles, anos antes de Cristo, e seu uso para observação de eclipses e
ajuda ao desenho, a Giovanni Baptista Della Porta.
Sentado sob uma árvore, Aristóteles
observou a imagem do sol, durante um eclipse parcial, projetando-se no solo em
forma de meia lua quando seus raios passarem por um pequeno orifício entre as
folhas. Observou também que quanto menor fosse o orifício, mais nítida era a
imagem.
Séculos de ignorância e superstições
ocuparam a Europa, sendo os conhecimentos gregos resguardados no oriente. Um
erudito árabe, Alhazem, descreveu a câmara escura em princípios do século XI.
No século XIV já se aconselhava o uso da
câmara escura como auxílio ao desenho e à pintura. Leonardo da Vinci fez uma
descrição da câmara escura em seu livro de notas, mas não foi publicado até
1797. Giovanni Baptista Della Porta, cientista napolitano, publicou em 1558 uma
descrição detalhada da câmara e de seus usos. Esta câmara era um quarto
estanque à luz, possuía um orifício de um lado e a parede à sua frente pintada
de branco. Quando um objeto era posto diante do orifício, do lado de fora do
compartimento, sua imagem era projetada invertida sobre a parede branca.
Alguns, na tentativa de melhorar a qualidade da imagem projetada, diminuíam o
tamanho do orifício, mas a imagem escurecia proporcionalmente, tornando-se
quase impossível ao artista identificá-la.
Este problema foi resolvido em 1550 pelo
físico milanês Girolamo Cardano, que sugeriu o uso de uma lente biconvexa junto
ao orifício, permitindo desse modo aumentá-lo, para se obter uma imagem clara
sem perder nitidez.
Isto foi possível graças à capacidade de
refração do vidro, que tornava convergentes os raios luminosos refletidos pelo
objeto. Assim, a lente fazia com que a cada ponto luminoso do objeto
correspondesse um pequeno ponto de imagem, formando-se assim, ponto por ponto
da luz refletida do objeto, uma imagem puntiforme.
Desse modo, o uso da câmara escura se
difundiu entre os artistas e intelectuais da época, que logo perceberam a
impossibilidade de se obter nitidamente a imagem, quando os objetos captados
pelo visor estivessem a diferentes distâncias da lente. Ou se focalizava o
objeto mais próximo, variando a distância da lente / visor (foco), deixando
todo o mais distante desfocado, ou vice-versa. Danielo Brabaro, em 1568, no seu
livro "A prática da perspectiva" mencionava que variando o diâmetro
do orifício, era possível melhorar a nitidez da imagem. Assim, outro aprimoramento
na câmara escura apareceu: foi instalado um sistema, junto com a lente, que
permitia aumentar e diminuir o orifício. Este foi o primeiro
"diaphragma".
Quanto mais fechado o orifício, maior
era a possibilidade de focalizar dois objetos a distâncias diferentes da lente.
Nesta altura, já tínhamos condições de formar uma imagem satisfatoriamente
controlável na câmara escura, mas gravar essa imagem diretamente sobre o papel
sem intermédio do artista era a nova meta, só alcançada mais tarde com o desenvolvimento
da química.
A
química, em auxílio à fotografia
Em 1604, o cientista italiano Angelo
Sala, observou que certo composto de prata se escurecia quando exposto ao sol.
Acreditava-se que o calor era o responsável.
Em 1727, o professor de anatomia Johann
Schulze, da universidade alemã de Altdorf, notou que um vidro que continha
ácido nítrico, prata e gesso se escurecia quando exposto à luz proveniente de
uma janela. Por eliminação, ele demonstrou que os cristais de prata halógena,
ao receberem luz, e não o calor como se supunha, se transformavam em prata
metálica negra. Como suas observações foram acidentais e não tinham utilidade
prática na época, Schulze cedeu suas descobertas à Academia Imperial de
Nuremberg. Em 1802, Sir Humphrey Davy publicou uma descrição do êxito de Thomas
Wedgewood na impressão de silhuetas de folhas e vegetais sobre couro. Thomas, o
filho mais moço de Josiah Wedgewood, o famosos ceramista inglês, estando
familiarizado com o processo de Schulze, obteve essas imagens mediante a ação
da luz sobre o couro branco impregnado de nitrato de prata. Mas Wedgewood não
conseguiu "fixar" essas imagens, isto é, eliminar o nitrato de prata
que não havia sido exposto e transformado em prata metálica, pois apesar de bem
lavadas e envernizadas, elas se escureciam quando expostas à luz.
A câmara escura também era do
conhecimento da família de Wedgewood. Josiah a usava constantemente para
desenhar casas de campo e copiar seus desenhos nas suas famosas porcelanas. No
entanto, seu filho não chegou a obter imagens impressas com o auxílio da câmara
escura devido à sua morte prematura, aos 34 anos. Aos 40 anos, Nicéphore Niépce
se retirou do exército francês para dedicar-se a inventos técnicos, graças à
fortuna que sua família havia feito com a revolução. Nesta época, a litografia
era muito popular na França e, como Niépce não tinha habilidade para o desenho,
tentou obter através da câmara escura uma imagem permanente sobre o material
litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante
várias horas na câmara escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixada com
ácido nítrico. Como essas imagens eram negativas e Niépce queria imagens
positivas que pudessem ser utilizadas como placas de impressão, determinou-se a
realizar novas tentativas.
Após alguns anos, Niépce recobriu uma
placa de metal com betume branco da judéia, que tinha a propriedade de se
endurecer quando atingido pela luz.
Nas partes não afetadas, o betume era
retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas
placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmara escura, conseguiu uma
imagem do quintal de sua casa.
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| Primeira Fotografia |
Apesar dessa imagem não ter meios tons e
não servir para litografia, todas as autoridades na matéria a consideram a
primeira fotografia permanente do mundo. Esse processo foi batizado por Niépce
de "HELIOGRAFIA", gravura com a luz solar. Foi através dos irmãos
Chevalier, famosos ópticos de Paris, que Niépce entrou em contato com outro
entusiasta que procurava obter imagens impressionadas quimicamente: Louis Jacques
Mandé Daguerre. Este, durante alguns anos, causara sensação em Paris com o seu
"Diorama", um espetáculo composto por enormes painéis translúcidos
pintados por intermédio da câmara escura, que produziam efeitos visuais (fusão,
trimensionalidade) através de iluminação controlada no verso destes painéis.
Niépce e Daguerre durante algum tempo mantiveram correspondência sobre seus
trabalhos. Em 1829 firmaram uma sociedade com o propósito de aperfeiçoar a
Heliografia, compartilhando seus conhecimentos secretos.
Daguerre, ao perceber as grandes
limitações do betume da Judéia, decidiu prosseguir sozinho nas pesquisas com a
prata halógena. Suas experiências consistiam em expor, na câmara escura, placas
de cobre recobertas com prata polida e sensibilizadas sobre o vapor de iodo,
formando uma capa de iodeto de prata sensível à luz.
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| Louis Jacques Mandé Daguerre |
Dois anos após a morte de Nièpce,
Daguerre descobriu que uma imagem quase invisível, latente, podia revelar-se
com o vapor de mercúrio, reduzindo-se assim de horas para minutos o tempo de
exposição. Conta a história que uma noite Daguerre guardou uma placa
sub-exposta dentro de um armário onde havia um termômetro de mercúrio que se
quebrara. Ao amanhecer, abrindo o armário, Daguerre constatou que a placa havia
adquirido uma imagem de densidade bastante satisfatória, tornara-se visível. Em
todas as áreas atingidas pela luz o mercúrio criava um amálgama de grande
brilho, formando as áreas claras da imagem. Após a revelação, agora controlada,
Daguerre submetia a placa com a imagem a um banho fixador, para dissolver os
halogenetos de prata não revelados, formando as áreas escuras da imagem.
Inicialmente foi usado o sal de cozinha, o cloreto de sódio, como elemento
fixador, sendo substituído posteriormente por Tiosulfato de sódio (hypo) que
garantia maior durabilidade à imagem. Este processo foi batizado com o nome de
Daguerreotipia.
Através do amigo Arago, que era então
membro da câmara e deputados da França, Daguerre, em 1839, na Academia de
Ciências e Belas Artes, descreveu minuciosamente seu processo ao mundo em troca
de uma pensão estatal. Mas, dias antes, por intermédio de um agente, Daguerre
requereu a patente de seu invento na Inglaterra.
Rapidamente, os grandes centros urbanos
da época ficaram repletos de daguerreótipos, a ponto de vários pintores figurativos,
como Dellaroche, exclamarem em desespero: "A pintura morreu". Como
sabemos, foi nessa efervescência cultural que foi gerado o impressionismo.
Apesar do êxito da daguerreotipia, que
se popularizou por mais de vinte anos, sua fragilidade, a dificuldade de se ver
a cena devido à reflexão do fundo polido do cobre e a impossibilidade de se
fazer várias cópias partindo-se do mesmo original, motivaram novas tentativas
com a utilização da fotografia sobre o papel.
Hercules
Florence - A descoberta isolada da fotografia no Brasil
O francês Hercules Florence, aplicou-se
a uma série de invenções durante os 55 anos em que viveu no Brasil até sua
morte, na Vila de São Carlos (Campinas).
Em 1830, diante da necessidade de uma
oficina impressora, inventou seu próprio meio de impressão, a POLYGRAPHIE, como
ele a chamou. Seguindo a meta de um sistema de reprodução, pesquisou a
possibilidade de se reproduzir usando a luz do sol e descobriu um processo
fotográfico que chamou de PHOTOGRAPHIE, em 1832, como descreveu em seus diários
da época, anos antes de Daguerre. Em 1833, Florence fotografou através da
câmara escura com uma chapa de vidro e usou um papel sensibilizado para a
impressão por contato.
Enfim, totalmente isolado e sem
conhecimento do que realizavam seus contemporâneos europeus Niépce, Daguerre e
Talbot, obteve resultados fotográficos.
Fox
- Talbot: um nobre aperfeiçoando a fotografia
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| Um TALBOTIPO - Os Jogadores de xadrez, por Talbot |
Na Inglaterra, um descendente de família
nobre, membro do parlamento britânico, escritor e cientista aficionado, WILLIAM
HENRY FOX-TALBOT, usava a câmara escura para desenhos em suas viagens. Na
intenção de fugir da patente do daguerreótipo em seu país e solucionar suas
limitações técnicas, pesquisava uma forma de impressionar quimicamente o papel.
Talbot iniciou suas pesquisas
fotográficas tentando obter cópias por contato de silhuetas de folhas, plumas,
rendas e outros objetos.
O papel era mergulhado em nitrato e
cloreto de prata e depois de seco fazia seu contato com os objetos, obtendo-se
uma silhueta escura. Finalmente, o papel era fixado, de modo imperfeito, com
amoníaco, ou com uma solução concentrada de sal. Às vezes, também era usado o
idodeto de potássio.
No ano de 1835, Talbot construiu uma
pequena câmara de madeira, com somente 6,30 cm2, que sua esposa chamava de
"ratoeira". A câmara foi carregada com papel de cloreto de prata e,
de acordo com a objetiva utilizada, era necessária de meia a uma hora de
exposição. A imagem negativa era fixada em sal de cozinha e submetida a um
contato com outro papel sensível. Desse modo, a cópia apresentava-se positiva,
sem a inversão lateral. A mais conhecida nos mostra a janela da biblioteca da
abadia de Locock Abbey, considerada a primeira fotografia obtida pelo processo
negativo/positivo.
As imagens de Talbot eram bastante
pobres, devido ao seu reduzido tamanho de 2,5 cm2, se comparadas com a
Heliografia de Nièpce, de 20,3 x 60,5 cm, obtida nove anos antes. Sua lentidão,
seu tamanho, e sua incapacidade de registrar detalhes não causavam interesse ao
público, em comparação aos daguerreótipos.
Em 1839, quando chegaram à Inglaterra os
rumores do invento de Daguerre, Talbot tinha aprimorado suas pesquisas e
precipitadamente publicou seu trabalho e o apresentou à Royal Institution e à
Royal Society. Sir Herchel logo concluiu que o Tiossulfato de sódio seria um
fixador eficaz e sugeriu os termos: FOTOGRAFIA, NEGATIVO E POSITIVO.
Um ano depois, o material sensível foi
substituído por iodeto de prata, sendo submetido, após a exposição, a uma
revelação com ácido gálico. Mas para as cópias continuou a usar o papel de
cloreto de prata. O processo, que inicialmente foi batizado de CALOTIPIA, ficou
conhecido como TALBOTIPIA e foi patenteado na Inglaterra em 1841. Talbot
comprou uma casa em Reading, contratou uma equipe para produzir cópias,
fotografou várias paisagens turísticas e comercializava as cópias em quiosques
e tendas artísticas em toda a Grã-Bratanha.
"THE PENCIL OF NATURE", o
primeiro livro do mundo ilustrado com fotografias, foi publicado por Talbot em
1844. O livro foi editado em seis grandes volumes com um total de 24 talbotipos
originais e continha a explicação detalhada de seus trabalhos, estabelecendo
certos padrões de qualidade para a imagem.
Como o negativo da talbotipia não era
constituído de um papel de boa qualidade como base de sensibilização, na
passagem para o positivo se perdiam muitos detalhes devido à fibrosidade do
papel. Muitos fotógrafos pensavam em melhorar a qualidade da cópia, utilizando
como base o vidro.
Archer
e suas placas úmidas
A dificuldade em usar o vidro como base
do negativo era a de se encontrar algo que contivesse, numa massa uniforme, os
sais de prata sensíveis à luz, para que não se dissolvessem durante a
revelação.
Abel Niépce de Saint-Victor, primo de
Nicéphore Niépce, descobriu em 1847 que a clara do ovo, ou a albumina, era uma
solução adequada no caso de iodeto de prata. Uma placa de vidro era coberta com
clara de ovo, sensibilizada com iodeto de potássio, submetida a uma solução
ácida de nitrato de prata, revelada com ácido gálico e finalmente fixada no
tiossulfato de sódio.
O método da albumina proporcionava uma
grande precisão de detalhes mas requeria uma exposição de 15 minutos
aproximadamente. Sua preparação era bastante complexa e as placas podiam ser guardadas
durante 15 dias.
O ano de 1851 foi muito significativo
para a fotografia. Na França, morreu Daguerre. Na Grã-Bretanha, como fruto da
Revolução Industrial, foi organizada a "Grande Exposição",
apresentando os últimos modelos produzidos.
Um invento que em pouco tempo chegou a
suplantar todos os métodos existentes foi o processo do COLÓDIO ÚMIDO, de
Frederick Scott Archer, publicado no "The Chemist" em seu número de
março. Esse obscuro escultor londrino, com grande interesse pela fotografia,
não estava satisfeito com a qualidade da imagem, deteriorada pela textura
fibrosa dos papéis negativos, e sugeriu uma mistura de algodão de pólvora e
éter, chamada colódio, como um meio de unir os sais de prata nas placas de
vidro. O processo consistia em:
a. Espalhar
cuidadosamente o colódio com iodeto de potássio sobre o vidro, escorrendo até
formar uma superfície uniforme.
b. No
quarto escuro, com luz alaranjada, a placa era submetida a um banho de nitrato
de prata.
c. A
placa era exposta na câmara escura ainda úmida, porque a sensibilidade diminuía
rapidamente à medida que o colódio secava. O tempo médio de exposição ao sol
era de 30 segundos.
d. Antes
que o éter, que se evaporava rapidamente, secasse, tornando-se impermeável,
revelava-se com ácido pirogálico ou com sulfato ferroso.
e. A
fixagem era feita com tiossulfato de sódio ou com cianeto de potássio
(venenoso), e finalmente lavava-se bem o negativo.
O colódio, além de muito transparente,
permitia uma concentração de sais de prata, fazendo com que as placas fossem 10
vezes mais sensíveis que as de albumina. Seu único inconveniente era a
necessidade de sensibilizar, expor e revelar a chapa num curto espaço de tempo.
Como Archer não teve interesse em patentear seu processo, morrendo na miséria e
quase desconhecido, os fotógrafos ingleses podiam pela primeira vez praticar a
fotografia.
Talbot, acreditando que sua patente
cobria o processo colódio, levou ao tribunal um fotógrafo que utilizava a placa
úmida em Oxford Street. O juiz pôs em dúvida o direito de Talbot de reclamar da
invenção do colódio e os jurados decidiram que esta não infringia sua patente.
Então a fotografia estava livre, pois além disso a patente de Daguerre havia
expirado em 1853. A fotografia agora tinha condições de crescer em popularidade
e a quantidade de aplicações do colódio cresceu durante 30 anos. O número de
retratistas aumentou consideravelmente, pessoas de todas as classes sociais
desejavam retratos e se estendeu o uso de uma adaptação barata do processo
colódio chamada AMBROTIPO.
As
variações do colódio: o ambrótipo e o ferrótipo
A variante Ambrotipia, elaborada por
Archer com a coloração de Peter Wickens Fry, consistia em um positivo direto
obtido com a chapa de colódio. Branqueava-se um negativo de colódio
sub-exposto, escurecia-se o dorso com um tecido preto ou um verniz escuro,
dando assim a impressão de um positivo. Quando um negativo é colocado sobre um
fundo escuro com o lado da emulsão para cima, surge uma imagem positiva graças
à grande reflexão de luz da prata metálica. Dessa maneira o negativo não podia
mais ser copiado, mas representava uma economia de tempo e dinheiro, pois se
eliminava as etapas de obtenção da cópia. O nome Ambrótipo foi sugerido por
Marcos A. Root, um daguerrotipista da Filadélfia, sendo também usado este nome
na Inglaterra. Na Europa era geralmente chamado Melainotipo. Os retratos
pequenos, feitos através deste processo, foram muito difundidos nos anos
cinqüenta até serem superados pela moda das fotografias tipo
"carte-de-visite".
Outra variação do processo colódio, o
chamado Ferrótipo, ou Tintipo, produzia uma fotografia acabada em menos tempo
que o Ambrótipo. Há divergências entre autores quanto ao criador do processo;
para uns, o Ferrótipo foi elaborado por Adolphe Alexandre Martin, um mestre
francês, em 1853. Para outros, foi Hanníbal L. Smith, um professor de química
da universidade de Kenyon, quem introduziu o processo. Este processo era
constituído por um negativo de chapa úmida de colódio com um fundo escuro para
a formação do positivo. Mas, ao invés de usar verniz ou um pano escuro, era
utilizada uma folha de metal esmaltada de preto ou marrom escuro, como suporte
do colódio. O baixo custo era devido aos materiais empregados e sua rapidez
decorria das novas soluções de processamento químico.
O Ferrótipo desfrutou de grande
popularidade entre os fotógrafos nos Estados Unidos a partir de 1860, quando
começaram a aparecer os especialistas fazendo fotos de crianças em praças
públicas, famílias em piqueniques e recém casados em porta de igrejas.
O inconveniente de todos os processos
por colódio era a utilização obrigatória de placas ainda úmidas. Idealizou-se
várias maneiras de conservar o colódio em estado pegajoso e sensível durante
dias e semanas, de forma que toda manipulação química pudesse ser realizada no
laboratório do fotógrafo em sua casa, mas logo apareceu um processo
"seco" que substituiu rapidamente o colódio: a gelatina.
Maddox
e sua emulsão de gelatina e brometo de prata
Em setembro de 1871, um médico e
microscopista Inglês, Richard Lear Maddox, publicou no British Journal of
Photography suas experiências com uma emulsão de gelatina e brometo de prata
como substituto para o colódio. O resultado era uma chapa 180 vezes mais lenta
que o processo úmido, mas com o novo processo aperfeiçoado e acelerado por John
Burgess, Richard Kennett e Charles Benett, a placa seca de gelatina estabelecia
a era moderna do material fotográfico fabricado comercialmente, liberando o
fotógrafo da necessidade de preparar as suas placas. Rapidamente várias firmas
passaram a fabricar placas de gelatina seca em quantidades industriais.
Burgess comercializou a emulsão de
brometo de prata e gelatina engarrafada, mas os resultados não foram
satisfatórios devido à presença de sub-produtos tais como nitrato de potássio.
Em 1873, Kennett vendia emulsões secas e placas preparadas com bastante
sensibilidade à luz. Em 1878, Bennett publicou que conservando a emulsão a 32oC
de quatro a sete dias, se produzia uma "maturação" que aumentava a
sensibilidade.
Fabricantes britânicos como a Wratten
& Wainwrigth e The Liverpool Dry Plate Co., em 1880, monopolizaram a
fabricação de placas secas. Logo fábricas em todos os países passaram a
imitá-los, até que em 1883 quase nenhum fotógrafo usava o material colódio.
A
história de George Eastman e da Kodak
George Eastman nasceu em 12 de julho de
1854, na vila de Waterville, estado de Nova York, Estados Unidos. Seus pais
foram Maria Kilbourn e George Washington Eastman. Quando George ainda tinha 6
anos, seu pai vendeu o negócio que tinha e se mudou para Rochester para poder
dedicar todo o seu tempo ao Colégio Comercial Eastman, nesta cidade. Com a
morte do pai, dois anos mais tarde, começaram os tempos difíceis para a Sra.
Eastman, George e suas duas irmãs mais velhas.
George conseguiu ficar na escola até os
14 anos e, mesmo sendo aplicado, nunca se destacou nos estudos. Nesta idade a
pobreza obrigou George a deixar os estudos. Com determinação prometeu a si
próprio aliviar a difícil situação financeira e ajudar no lar. Obteve um
emprego de mensageiro em uma companhia de seguros, com um salário de 3 dólares
semanais; e se destacou por ser cuidadoso e minucioso no trabalho. Um ano
depois, já em outra companhia de seguros e pela sua dedicação, teve um aumento
em seu salário para 5 dólares semanais. Para conseguir um emprego melhor,
estudou contabilidade à noite. Em 1874, depois de ter trabalhado em companhias
de seguros por 5 anos, e com apenas 20 anos de idade, ingressou no Banco de
Poupança de Rochester.
George Eastman sempre foi austero e
poupava mesmo quando ganhava os escassos 3 dólares semanais. Com um novo
salário de 800 dólares anuais pôde poupar nos sete anos seguintes 3000 dólares
que usou para iniciar seu negócio fotográfico.
Ensaios
de um aficionado
Aos 24 anos decidiu tomar merecidas
férias. Havia trabalhado sem descanso na contabilidade do banco, ficando muitas
vezes até altas horas da madrugada. A leitura sobre a ilha de São Domingos
havia despertado seu interesse em visitá-la. Um engenheiro que trabalhava no
sótão do banco lhe sugeriu que documentasse a viagem fotograficamente. Este
conselho iniciou George Eastman na fotografia. Comprou um equipamento com todos
os apetrechos necessários naqueles dias. A câmara era muito maior que as de
hoje e necessitava de um tripé; a tenda que servia de câmara escura tinha que
ser grande o suficiente para aplicar a emulsão nas placas de vidro antes da
exposição e para revelá-las em seguida. O equipamento incluía, além disso, as
soluções químicas, tanques de vidro, um pesado suporte para as placas e uma
jarra para a água. As aulas para aprender a tirar fotografias lhe custaram 5
dólares.
Apesar de não ter viajado para São
Domingos, quando aprendeu a tirar fotos com placas úmidas foi fotografar a
ponte da ilha de Mackinac. Como o tanque de vidro cheio de nitrato de prata
para sensibilizar as placas tinha que estar hermeticamente fechado e bem
protegido, ele o envolveu em sua roupa de viagem. Apesar de tantas precauções,
o tanque se rompeu e ele teve que comprar roupa nova.
Um grupo de turistas se colocou na ponte
para posar e observaram como Eastman enfocou a câmara, entrou na tenda para
sensibilizar a placa e saiu pronto para tirar a foto. Apesar do calor, o
fascinado grupo permaneceu ali durante a longa e complicada operação, e esperou
ele sair da tenda após revelar a placa. Estava olhando a foto quando alguém lhe
perguntou se vendia. "Não é para vender", respondeu. "Sou um
aficionado". Ao saber disto, o curioso se indignou declarando que quando
alguém não mais do que um aficionado devia indicar isto com uma placa.
Se bem que no início queria simplificar
a fotografia para satisfação pessoal, logo considerou as possibilidades de
fabricar placas secas para vender. Como fonte de referência para suas
experiências leu todas as publicações disponíveis sobre a matéria e consultou a
Enciclopédia Britânica de uma biblioteca.
Trabalhava no banco de dia e
experimentava na cozinha de sua mãe durante as noites, misturando e cozinhando
soluções de segunda a sexta. Se deitava no sábado à noite e dormia até a manhã
de segunda, só acordando para comer. Segundo sua mãe, algumas vezes estava tão
cansado que não conseguia tirar a roupa e dormia no chão da cozinha, perto do
fogão.
Os três primeiros anos de suas
experiências fotográficas foram os mais duros de sua vida de trabalho. O medo
da pobreza que assustava sua mãe e irmãs, uma delas vítima da poliomielite, foi
a força motriz que o levou a ganhar dinheiro para ajudar a família. A firmeza
de sua determinação e seu profundo amor pela mãe constituíram os motivos
propulsores de grande parte de sua existência.
Fonte: http://wwwbr.kodak.com - História da Fotografia









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